And the Oscar goes to…

Sem dúvida nenhuma, o prêmio de protagonista do ano vai para ela: Zara.
A chegada dela foi totalmente por acaso, resultado de uma visita à casa de dois amigos que estavam tentando encontrar um lar para filhotes que tinham sido resgatados da rua.
Depois de eles se unirem à Michele e comerem a minha mente, resolvemos ficar com ela.
“Calma, ela vai ficar pequena”, disseram eles.
“Não se preocupe, cai pouco pelo.”
“Eles são uns amores… confia!”
Essa última parte é verdade. 😂
Pois bem. Zara veio e simplesmente virou nossa vida de cabeça para baixo.

Nós, que estávamos acostumadas com dois shih-tzus pequenos que dormiam umas 20 horas por dia, de repente ganhamos uma filhote com toda a energia do mundo.
A comida, que antes durava dois meses, agora não dura 15 dias. O tapete higiênico então… viramos sócias da fábrica.
Os pelos não caem. Eles se multiplicam pela casa inteira.
Tivemos que buscar adestramento, que, por sinal, foi excelente. Recomendo.
Os dias passaram a começar mais cedo, porque ela acorda e já quer atenção. À noite, enquanto a luz não apaga, ela não dorme. Durante o dia, a gente se reveza entre dar atenção, trabalhar, limpar a casa e brincar com ela para gastar energia.
Ninguém mais conseguia se trocar em paz, sem precisar correr atrás dela porque tinha roubado alguma roupa. Tudo vira brincadeira.
A casa passou a ser varrida todos os dias. Às vezes até duas vezes por dia.
Ela vai para o quintal e traz para dentro de casa qualquer coisa que encontra por lá.
O lençol que coloquei para proteger o sofá precisa ser lavado dia sim, dia não.
E assim foram 10 meses dessa loucura, ajustando a rotina e nos adaptando todos os dias.

Até que, um dia, fomos buscá-la no final da tarde na creche que ela frequentava por duas vezes por semana para brincar e gastar energia.
E descobrimos que a Zara tinha fugido.
Nesse momento, parece que a vida deu um pause.
Como assim ela fugiu?
Ela é um nenê. Não sabe nem andar na rua. Ela só tem 10 meses!
Foram três dias procurando incansavelmente.
A gente já não dormia direito. Rodamos essa cidade dia e noite, seguindo cada pista que recebíamos.
“Vimos uma cachorra parecida em tal lugar.”
Íamos na hora.
Foram muitos e muitos anúncios em todos os canais de comunicação, postagens pagas e até drone veio para ajudar na procura.
A vida praticamente parou.
A casa, antes supermovimentada, tinha apenas silêncio e tristeza.
Até os dois nenês, Freddy e Shelby, estavam sentindo falta da irmã.
A dor de imaginar ela na rua, sozinha, com fome, frio e medo era realmente grande.
A gente só conseguia pedir à espiritualidade que cuidasse dela e a trouxesse de volta para nós.
A casa foi preenchida por uma tristeza e uma dúvida imensas, difíceis de descrever.
Até que veio uma ligação:
“Oi sou o Coveiro, Ela está aqui, no cemitério. Está escondida e protegida.”
Eu tenho a minha fé de que essa foi uma forma que a espiritualidade encontrou para protegê-la.
Fomos até lá no mesmo segundo e ela realmente estava lá!
O reencontro foi com muito choro. Muito mesmo.
Ela não ia com ninguém. Mas, quando nos viu, veio correndo, pulou e ficou grudada na gente.
Os funcionários de lá foram superlegais e pararam tudo para assistir à cena.
Zarinha voltou para casa.
Está cuidada, alimentada e segura. As patinhas estão machucadas, mas logo vão sarar.
A alegria voltou.
As coisas voltaram ao normal.
O susto e a tristeza foram embora.

Estamos nós cinco reunidos de novo, com a certeza do amor que sentimos e de que esse é o melhor lugar para estarmos.
Zara trouxe a loucura e o furacão com ela, mas trouxe também muito amor, carinho e companheirismo.
Ela veio para completar essa que chamamos de família.
Um viva à Zara, ao Freddy e à Shelby.
Nossos filhos de quatro patas, que amamos com toda a nossa alma.

Ps. Os amigos são Vagner e Waldir, mais mentirosos que eles não existem kkkk