domingo, 6 de setembro de 2026

Zara

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And the Oscar goes to…

Sem dúvida nenhuma, o prêmio de protagonista do ano vai para ela: Zara. 


A chegada dela foi totalmente por acaso, resultado de uma visita à casa de dois amigos que estavam tentando encontrar um lar para filhotes que tinham sido resgatados da rua.

Depois de eles se unirem à Michele e comerem a minha mente, resolvemos ficar com ela.


“Calma, ela vai ficar pequena”, disseram eles.

“Não se preocupe, cai pouco pelo.”

“Eles são uns amores… confia!”


Essa última parte é verdade. 😂

Pois bem. Zara veio e simplesmente virou nossa vida de cabeça para baixo.




Nós, que estávamos acostumadas com dois shih-tzus pequenos que dormiam umas 20 horas por dia, de repente ganhamos uma filhote com toda a energia do mundo.


A comida, que antes durava dois meses, agora não dura 15 dias. O tapete higiênico então… viramos sócias da fábrica.


Os pelos não caem. Eles se multiplicam pela casa inteira.

Tivemos que buscar adestramento, que, por sinal, foi excelente. Recomendo.


Os dias passaram a começar mais cedo, porque ela acorda e já quer atenção. À noite, enquanto a luz não apaga, ela não dorme. Durante o dia, a gente se reveza entre dar atenção, trabalhar, limpar a casa e brincar com ela para gastar energia.


Ninguém mais conseguia se trocar em paz, sem precisar correr atrás dela porque tinha roubado alguma roupa. Tudo vira brincadeira.


A casa passou a ser varrida todos os dias. Às vezes até duas vezes por dia.

Ela vai para o quintal e traz para dentro de casa qualquer coisa que encontra por lá.


O lençol que coloquei para proteger o sofá precisa ser lavado dia sim, dia não.


E assim foram 10 meses dessa loucura, ajustando a rotina e nos adaptando todos os dias.




Até que, um dia, fomos buscá-la no final da tarde na creche que ela frequentava por duas vezes por semana para brincar e gastar energia.


E descobrimos que a Zara tinha fugido.

Nesse momento, parece que a vida deu um pause.


Como assim ela fugiu?

Ela é um nenê. Não sabe nem andar na rua. Ela só tem 10 meses!


Foram três dias procurando incansavelmente.

A gente já não dormia direito. Rodamos essa cidade dia e noite, seguindo cada pista que recebíamos.


“Vimos uma cachorra parecida em tal lugar.”

Íamos na hora.


Foram muitos e muitos anúncios em todos os canais de comunicação, postagens pagas e até drone veio para ajudar na procura.


A vida praticamente parou.

A casa, antes supermovimentada, tinha apenas silêncio e tristeza.


Até os dois nenês, Freddy e Shelby, estavam sentindo falta da irmã.


A dor de imaginar ela na rua, sozinha, com fome, frio e medo era realmente grande.


A gente só conseguia pedir à espiritualidade que cuidasse dela e a trouxesse de volta para nós.


A casa foi preenchida por uma tristeza e uma dúvida imensas, difíceis de descrever.


Até que veio uma ligação:

“Oi sou o Coveiro, Ela está aqui, no cemitério. Está escondida e protegida.”


Eu tenho a minha fé de que essa foi uma forma que a espiritualidade encontrou para protegê-la.


Fomos até lá no mesmo segundo e ela realmente estava lá! 


O reencontro foi com muito choro. Muito mesmo.


Ela não ia com ninguém. Mas, quando nos viu, veio correndo, pulou e ficou grudada na gente.


Os funcionários de lá foram superlegais e pararam tudo para assistir à cena.


Zarinha voltou para casa.

Está cuidada, alimentada e segura. As patinhas estão machucadas, mas logo vão sarar.


A alegria voltou.

As coisas voltaram ao normal.

O susto e a tristeza foram embora.




Estamos nós cinco reunidos de novo, com a certeza do amor que sentimos e de que esse é o melhor lugar para estarmos.


Zara trouxe a loucura e o furacão com ela, mas trouxe também muito amor, carinho e companheirismo.


Ela veio para completar essa que chamamos de família.


Um viva à Zara, ao Freddy e à Shelby.

Nossos filhos de quatro patas, que amamos com toda a nossa alma. 




Ps. Os amigos são Vagner e Waldir, mais mentirosos que eles não existem kkkk