quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Sobre a morte


Hoje o dia começou normal e no caminho para o trabalho a Chiaro me liga. Ela é uma daquelas amigas que a gente sabe que vai ter pra vida inteira, então atendi muito feliz, inclusive tinha acordado com uma saudade dela e da Karina e ia mandar msg no nosso grupinho falando isso. Mas não deu tempo, ela estava chorando e dizendo que o irmão da Karina havia morrido. Não conegui acreditar de cara, liguei pra Karina na mesma hora e infelizmente descobri que era verdade. Ela estava chorando muito me fazendo entrar em desespero e começar a chorar também. 
Se tem uma coisa que eu sinto muito orgulho e satisfação é dos amigos que tenho. Amigos que apesar de qualquer distância, sempre estarão lá para mim e eu para eles. Amizade é algo que dou muito valor tanto para as velhas qto para as novas que estão nascendo. E Deus sempre colocou e coloca pessoas especiais no meu caminho. 
Não pensei meia vez, liguei para o Maron, outro desse amigos especiais e fomos ao velório e enterro do Leandro. Eu sinto que se eu nao tivesse feito isso a amizade não teria sentido, eu e os amigos precisavam estar lá, dando o suporte necessário nesse momento onde não existem palavras, apenas um abraço que traduz o "estou aqui com vc". 
O dia de hoje foi sem dúvida alguma, um dos mais tristes da minha vida. E é por isso que estou colocando tudo isso aqui, em forma de desabafo. Ver pessoas que eu amo sofrendo, ouvir o choro de desespero da mãe do Lê, as coisas que ela falava pra ele, ver a Ka daquele jeito, foi absurdamente dolorido. Estou destruída. Não há uma explicação lógica para isso que aconteceu e mesmo que a achemos, não irá diminuir a dor. 
Nunca estaremos preparados para a morte!

Conversando com a Michele, ela disse que Deus pode dar forças e consolo e é isso que farei, pedir a Deus muita força para eles. 

Ka estamos pra aqui pra vc, infelizmente não posso tirar sua dor mas posso te ajudar, mesmo que minimamente, a enfrentá-la
Amamos vcs!

terça-feira, 24 de setembro de 2019

O ônibus da minha infância!

Quem escreveu este texto foi minha mãe maravilhosa (a verdadeira escritora rs). Com ele ela ganhou, em primeiro lugar, o prêmio de melhor crônica da Academia Brasileira de Letras do Estado de São Paulo. Ela arrasa e me deixou postá-lo aqui. Espero que curtam, é emocionante:

Por: Aparecida Maria dos Santos Vecchi

Na minha infância e até quase à adolescência já, o horário de verão era um forte aliado para as nossas brincadeiras, criações e nossos faz-de-conta, porque ele esticava o dia e encurtava a noite, tempo para dormir.
Éramos dez filhos, sete meninas e três meninos. É claro que os meninos não participavam desses delírios, pois já eram adultos e trabalhavam para ajudar no orçamento da casa. As duas mais velhas também, na época da “panha” de algodão, iam e ficavam no sítio dos meus tios até acabar a colheita e fora disso trabalhavam, prestando serviços domésticos às conhecidas da mamãe, para poderem comprar suas coisinhas.



Restava nós cinco para criar as mais deliciosas brincadeiras e aventuras por este mundo afora. Eu digo, por este mundo, porque tínhamos um ônibus. Azul claro. Velho.  Sem rodas e sem os vidros das janelas;  alguns assentos quebrados, outros quase inteiros, só rasgados e com os enchimentos saltando pelos buracos dos estofamentos; as ferragens cheias de ferrugem. Aquele bagageiro sobreposto onde os passageiros subiam por uma escada na traseira, para ali, colocarem suas bagagens. Ele era muito antigo, com um focinho comprido. Um ônibus de verdade. O ônibus que transportava nossa alegria. O assento do motorista estava lá, no lugar dele, imponente e a sua frente, a direção. Sucata que ficava no quintal do vizinho, proprietário de uma empresa de transportes de pessoas em Pereira Barreto, o Sr. João Galhardo.  Morríamos de vontade de entrar num daqueles outros de verdade que ainda funcionava e neles viajar com toda a família.  No “nosso”, eu digo nosso, porque nos sentíamos proprietárias dele enquanto o seu dono não estava por lá, nós viajávamos muito, atravessávamos o horizonte e o arco íris.  Ora ele se transformava em navio e cruzávamos mares e oceanos, ora em avião e nos levava a voar pelos céus, livres pela imensidão azul, cortando nuvens e chegávamos perto do sol de dia e da lua à noite. Viagens imaginárias, ricas, lindas e inesquecíveis.

Como era bom. Saíamos em viagem muito cedo, na nossa imaginação, porque na realidade, elas aconteciam no período da tarde, depois de ajudarmos nos afazeres da casa com a mamãe ... Imaginem minha mãe com doze pessoas na casa, para lavar as roupas, passar, cuidar de tudo e ainda lavar roupas para duas casas de família, era lavadeira. 
Éramos solidárias a ela, mesmo a contragosto e com muita pressa.
Eu gostava mesmo era de dirigir ou de ser a cobradora. A viagem sempre era muito longa, mesmo porque não conhecíamos nenhum lugar, a não ser a nossa linda Pereira Barreto, a Palestina e o Guarda  Mor,no interior de São Paulo. Esta última onde moramos até os seis anos de idade antes de irmos para a atual. Em Palestina fomos  uma vez, na boléia do caminhão que ia às compras uma vez por mês.. Uma viagem incrível.

Com o nosso ônibus, passávamos sobre lindas matas verdes, por pontes e rios caudalosos, um deles é o Rio Tietê, onde as águas são límpidas e ainda abastecia a cidade naquele tempo, e sentíamos o vento bater na nossa cara e desmanchar os nosso cabelos  encaracolados e bem cuidados pela mamãe, às vezes com duas tranças. Mas eu tinha muito medo de cair quando sobrevoávamos o rio...
Nunca chovia nesses dias. Os dias eram sempre lindos e ensolarados. Não tínhamos sequer o dever de abastecer o tanque de combustível.  O que tinha era suficiente para sonharmos. E íamos e vínhamos com muita frequência a muitos lugares dos quais só  ouvíamos falar no rádio, porque televisão não havia naquele tempo lá. Mas todos eles eram lindos.

Como éramos felizes!

Só retornávamos quando o sol estava se pondo e ouvíamos o chamado de mamãe para tomarmos banho, jantar e lavar a louça. Éramos incansáveis. Ainda nesse restinho de dia, já embocando na noite, inventávamos outras brincadeiras, como lenço atrás, passar anel, esconde- esconde... só não podia sujar as roupas e os pés. Tínhamos de estar limpos na hora de dormir para não sujar os lençóis branquinhos que eram quarados e fervidos até brilharem ao sol.
À noite, já deitadas, planejávamos a viagem do dia seguinte, sonhávamos acordadas e de cansaço dormíamos. Não tinha malas. Nenhum preparativo. Mas certamente iríamos desbravar estradas jamais trilhadas por nós, caminhos jamais percorridos na manhã seguinte. Ora de ônibus, ora de navio, ora de avião, porque o nosso ônibus era mutante e sempre voltávamos felizes com o seu desempenho e com a sensação de termos ido longe, muito longe. E a gente não se cansava de sonhar... sonhar.    A gente acreditava ter conhecido o mundo inteiro.

Um dia, meu pai construiu uma casa meio longe dalí  e nos mudamos para ela,  perdendo então o privilégio de ser vizinhos e, portanto o acesso ao quintal do seu João Galhardo. Mas ele ficou lá à espera dos novos vizinhos para fazer-lhe companhia nas horas de solidão. Que saudade de você, “nosso” ônibus companheiro das tardes quentes e alegres de Pereira Barreto.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Sexo - Proíbido para menores




O título dessa postagem é de pura sacanagem, é justamente pra mostrar o quão Tabu esse tema é.
(você veio ler achando que era um texto picante né, me perdoe...não será vez...kkk)

Mas vamos lá, sexo é a coisa mais natural e espontânea desse mundo, você e eu só existimos pq ele aconteceu, o mundo só existe pq desde sempre as pessoas fazem isso.
E sabe o que é mais engraçado, ele é completamente intuitivo. Não existe uma aula pra vc aprender. Claro que existem dúvidas, aprimoramentos (se é que podemos dizer assim) mas é algo natural em nós, já nascemos sabendo, sentindo, desejando.

O grande objetivo dessa postagem é expor pq esse assunto é um assunto tão difícil de ser falado. Porque as pessoas sentem tanta vergonha, a começar pelos pais. Eu conheço pouquíssimos pais que falam abertamente com seus filhos, casais não falam abertamente sobre isso entre si (o que eu considero absurdo!). É só surgir esse tema que já começam as risadinhas e comentários ajudando apenas a deixar o assunto mais "vergonhoso" do que já é.

Quando eu tinha 7 anos, lembro de estar assistindo jornal e foi falado sobre um caso de estupro, virei pra minha mãe e perguntei: - mãe o que é estupro? Ela pensou por alguns segundos e respondeu: é enfiar uma coisa aqui (apontou para a vagina), falou isso e saiu da sala demonstrando que não era pra fazer mais perguntas.
Vocês não tem idéia do que passou pela minha cabeça. Como assim enfiar uma coisa aliiii? Eu pensei em tantas coisas....e o homem? será que ele pode ser estuprado também? Será que enfiam alguma coisa no “pipi” dele?? Credoooooo!!
Bem, depois de algum tempo eu descobri o que de fato era o um estupro. Continua sendo horrível, mas acho que minha mente na época foi um pouco mais longe.

Não posso julgar minha mãe pela resposta. Tenho certeza que ela foi pega de surpresa e foi a forma mais fácil que achou de responder a uma criança de 6 anos.
E assim acontece muitas vezes, os pais não se prepararm para o assunto, evitam perguntas e quanto menos se fala mais curiosidade se gera.

Entre casais é o cúmulo maass acontece. As pessoas tem vergonha de falar o que gostam ou como gostam, de conversar sobre o assunto abertamente, de expor seus medos, desejos, curiosidades.
Uma amiga me falou uma vez que tinha vergonha que seu marido passasse pomada íntima nela. Eu falei: What??? Pois é galera, pra você verem o nível.

De verdade, não sei porque esse assunto é tão Tabu.
O lugar onde as pessoas se sentem mais a vontade pra falar é em uma roda de amigos ou em grupos de amigos do whatsapp.
Quando essas conversas acontecem percebemos que muita coisa do que achamos é paradigma. Descobrimos que o que achávamos ser anormal é completamente normal e comum.
Descobrimos que os medos são normais, as dúvidas são as mesmas, as pessoas tem seus desejos, tem gente que gosta de uma coisa, gente que gosta de outra, tem quem sente dor, quem não sente, quem gosta muito, quem gosta pouco e por aí vai. Tudo é natural, normal e comum!! 

Eu percebo que existe até um julgamento em cima de quem fala sobre isso, quem fala abertamente sem receios é tachado de "safada ou safado". Claro que isso é pior para mulheres. 

Não quero dizer que temos que falar só disso, mas sim, que esse deve ser um assunto normal, como qualquer outro.
Ainda não tenho filhos, mas pretendo ter uma comunicação totalmente aberta com eles. Criança não tem maldade, quem tem é adulto. É bom que eles saibam tudo antes da maldade chegar.
É importante a criança ter com quem tirar dúvidas, ter liberdade pra perguntar sem medo.

Sexo e prazer são tão parte do nosso corpo como respirar, se alimentar ou ir ao banheiro. Faz parte do nosso organismo. Fomos criados com isso e parar fazer isso. 
Vamos ter a mente aberta sobre o assunto e claro, nunca deixar de respeitar os outros.

Permitam-se mais e libertem-se de alguns paradigmas criados que não fazem sentido e não agregam! 

Um abraço, 
Marcella Vecchi 



quinta-feira, 11 de julho de 2019

Sobre os Países que estive





Vou contar um pouco sobre os Países que já visitei.
Não costumo falar muito sobre os lugares que tive a oportunidade de conhecer, nem mesmo com quem convive comigo. Não sei porque sou assim, então resolvi fazer isso aqui.
O mais engraçado é que eu não sou a maior fã de viagens neste mundo e por ironia já viajei muuito, mas muito mesmo.

Vamos lá: 

1. França: Já fui pra lá umas 6 vezes mais ou menos. É um país lindo, seguro, organizado. Em alguns lugares tem lixo na rua, mas bem pouco. Tem a melhor gastronomia do mundo. Amo de paixão a comida francesa. De todas as vezes, fui apenas 1 para Paris e foi um dos poucos lugares que eu fiquei emocionada em estar. Aquela torre é extremamente linda a noite. Muito romântica. Essa viagem foi presente de aniversário para minha esposa, se tornou inesquecível. 
Espero voltar para França mais e mais vezes, é um dos meus lugares preferidos.  

2. Alemanha: Fui mais de 8 vezes, em várias cidades e todas possuem o mesmo estilo. Parece Campos do Jordão. Cidade extremamente organizada e limpa. Frio, muito frio!! Nunca vi lixo nas ruas por lá. Mas eu particularmente acho um país triste, tenho a impressão de que existe uma nuvem cinza com resquícios de todo o sofrimento causado pela guerra. É como se o passado tivesse apagado o brilho do lugar e nunca mais voltou. Apesar disso é muito segura e prática. Mas morro de raiva de carregar a mala pesada nas estações de trem que não têm uma mísera escada rolante para facilitar a vida dos sedentários. 

3. Itália: Lugar mais maravilhoso do mundo. Fui apenas uma vez, conheci Roma, Veneza e Bari. Quando coloquei meus pés naquele país quase chorei de emoção. Era um sonho de adolescente ir pra lá. Não tem muito o que falar, tudo é lindo por lá, romântico, comida gostosa. Enfim, quero voltar também. 

4. Grécia: Linda, colorida, iluminada. Traz uma sensação de paz e tranquilidade. Super recomendo.

5. Croácia: Achei muito mais bonito do que imaginava. O mar, as ruas, as casas. Entrou na lista dos mais bonitos q já estive.

6. Turquia: Fiquei chocada!! Fui para Istambul, existe um mundo moderno e ao mesmo tempo muito conservador com sua cultura. Os templos, os horários de orações, as famosas Mesquitas. Eles seguem a risca suas religiões. E o kebab é uma delícia. A princípio é preocupante pq a higiene é zero rsrs, mas deve ser isso que traz o gosto bom. 

7. EUA: Estive no Texas e em Chicago. Não tem muito o que falar, é moderno, tecnológico, tem de tudo que você imaginar. Só tem besteiras pra comer e eu amo isso e claro, ótimo para fazer compras e voltar falido. Passei muito frio e calor lá. Não fui para Nova York, ainda é um sonho que está nos planos futuros.

8. México: Feio! Estive em Querétaro e Guadalajara Parece que existe uma eterna nuvem de poeira que cobre os lugares. Eles tem uma cultura muito forte e valorizam isso. Já fui 2 vezes mas não me encantou. A comida é boa mas muito forte e apimentada. Como não gosto de tequila, não gostei da original.

9. Argentina: Uma São Paulo não tão bonita. Não voltaria, não tem nada de muito especial. Mas comida é muito boa. A carne é deliciosa. O show de tango é lindo, ele e o vinho valem a pena.

10. Uruguai: Lindo, o lugar que fui parecia uma Copacabana, eu curti bastante.

11. China: Estive em Shanghai, uma das maiores cidades da China. Eu lembro de ter falado várias vezes que jamais iria para a China, mas o dever me obrigou. Eles têm lugares lindíssimos. Construções modernas, tecnológicas. Mas a cidade é extremamente lotada e não é nem um pouco limpa. A cultura é muito forte e eles são muito disciplinados. Fiquei 5 dias e no terceiro só pedia pizza e hambúrguer. Não é possível comer aquela comida por muito tempo. Espero não voltar. Não tenho estrutura para aguentar 24h de voo novamente.

12. África do Sul: Estive na Cidade do Cabo, sede da Copa do mundo. Lugar lindo com várias atrações turísticas e ótimo para fazer compras. A comida é muito gostosa e o clima bom também. Porém é um pouco perigoso. Foi o único lugar que fui assaltada. Roubaram meu passaporte e deu um bom trabalho pra tirar outro, sem contar o custo que foi altíssimo.

13. República Tcheca: Estive em Praga, conheci o famoso relógio e o rio onde foi gravado um dos filmes do 007. Vale a pena. Tem uma construção rústica e agradável. Lugar bonito e comida deliciosa.

14. Espanha: Lembra São Paulo. Estivem em Madri e Barcelona. Madri é mais moderna, mas ambas são bonitas. O maior problema é a comida, passei fome nas duas vezes que fui. É necessário se programar bem quanto aos lugares para comer.

15. Brasil: Ahh o Brasil, é sem dúvida o melhor, não troco por nenhum outro que já estive. Melhor clima, comida e o mais importante: as pessoas! Perto das pessoas que amo. 💗 

Tenho uma lembrancinha que cada lugar que fui no escritório em casa.
É meu cantinho fofo.


Abraços,
Marcella Vecchi